O Oceano do Neil Gaiman

Pra onde ela foi? Estados Unidos? Não. Austrália. Era isso. Algum lugar bem longe.
E não era mar. Era oceano.
E ao lembrar-me disso. Lembrei-me de tudo.

Como muitos sabem (ou talvez não saibam e ficarão sabendo agora), eu sou muito apaixonada por tudo que eu já consegui ler de Neil Gaiman até hoje, apaixonada do tipo “Gaiman é meu pastor e nada me faltará”. Então, não foi por acaso que as minhas crises de ansiedade quadriplicaram desde o anúncio de O Oceano no Fim do Caminho, pois se trataria APENAS do primeiro livro voltado para adultos desde o lançamento de Anansi Boys. E vale uma pausa pra elogiar o trabalho da Intrínseca, que teve o cuidado de lançar o livro junto com os EUA. Um presentão para os fãs, diga-se de passagem.
Depois desse começo, muitos dirão que eu sou suspeita pra falar qualquer coisa do Oceano, mas persistam na leitura e verão que tudo que vocês tem escutado/lido sobre esse livro, assim como meus ataques de ansiedade, não é coisa de fã-enlouquecido-obcecado-que-faz-cosplay-de-perpétuo-em-eventos.

Mas afinal de contas, qual a história desse Oceano no Fim do Caminho?

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O Oceano é o Neil Gaiman em sua melhor forma de contador de histórias, nos apresentando um protagonista que, por conta do velório de uma pessoa próxima, precisa retornar ao lugar onde morava. Nosso protagonista, que está claramente abatido e desconfortável com a situação, resolve dar uma volta para espairecer e quando se dá conta, ele está indo em direção ao lugar onde ficava sua velha casa, que nem existia mais, uma outra havia sido construída no lugar pelos novos moradores. Ele continua seu caminho até chegar ao fim dessa estradinha e começa a lembrar da amiga, Lettie Hempstock, que morava com sua mãe e sua avó em uma fazenda. Lettie um dia o havia convencido que o laguinho em sua fazenda era um mar, ou seria um oceano? E ao lembrar-se disso, ele lembra de tudo.

As lembranças do nosso protagonista, após seu aniversário de 7 anos, é que vão compor grande parte dessa história, que pode até soar um tanto comum demais no começo, mas é aí que entra o toque do Gaiman, e a magia e os elementos fantásticos vão sutilmente tomando conta da narrativa, que alterna momentos sombrios, melancólicos, de epifania e algumas passagens mais err… nojentas (VERME NO PÉ, ai). Em dado momento o envolvimento com os personagens é tão natural que ao perceber faltarem tão poucas páginas para a história, fica até difícil dizer “adeus” ou “até logo” para aquele universo. Sem contar que, os apaixonados pela leitura, aqueeeeles que quando criança eram introspectivos e que trocavam tudo por livros de fantasia, com certeza se identificarão com nosso jovem protagonista e torcerão (entre lágrimas, ou não) por ele e para que as quase 200 páginas se transformem em muitas mais.

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About Jaren

Aquela que nunca leu Harry Potter e que levaria todos os trabalhos do Neil Gaiman para o abrigo nuclear.
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